A Polícia Civil do Amazonas identificou um suposto “núcleo político” do Comando Vermelho (CV) atuando em órgãos públicos do estado, em esquema que envolvia pagamento a servidores e acesso a informações sigilosas. A descoberta foi feita durante a operação Erga Omnes, deflagrada na última sexta-feira (20), que cumpriu 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas. Entre os detidos estão servidores públicos e ex-assessores parlamentares, incluindo a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM).

Prints de conversas obtidos pela Polícia Civil mostram trocas de mensagens entre suspeitos, com referências a pagamentos via Pix e consultas sobre a expedição de mandados de prisão. De acordo com a investigação, os envolvidos monitoravam processos judiciais em segredo de Justiça para favorecer a organização criminosa.

O esquema

Segundo a Polícia Civil, a organização movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018 — aproximadamente R$ 9 milhões por ano — atuando em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados. O grupo utilizava empresas de fachada nos setores de transporte e logística para facilitar a compra de drogas na Colômbia, que chegavam a Manaus e eram distribuídas para outras regiões do país.

Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Como funcionava

Prints obtidos no celular de Lucila Meireles Costa, presa em Teresina (PI), mostram que ela enviava comprovantes de pagamento a Izaldir Moreno Barros, servidor do TJ-AM, e cobrava consultas sobre mandados de prisão: “Tem algo no sistema? Já foi expedido o mandado? Precisamos monitorar até o fim do mês”, escreveu.

Lucila também mantinha contato com Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como líder do núcleo político e considerado foragido. Mensagens de setembro de 2025 indicam que ela atuava como intermediária entre membros da quadrilha e servidores públicos.

Quem foram os alvos

Entre os oito presos no Amazonas, estão:

  • Izaldir Moreno Barros – servidor do TJ-AM, acusado de repassar informações sigilosas.
  • Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete, com indícios de movimentações financeiras suspeitas.
  • Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus, teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão por empresas de fachada.
  • Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por participação em operações financeiras do grupo.
  • Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar.
  • Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso.
  • Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas.
  • Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara.

Outros suspeitos, como Lucila Costa Meireles e Núbia Rafaela Silva de Oliveira, estão foragidos. Lucila, que se apresentava como advogada sem registro na OAB, atuava como lobista do grupo. Núbia teria recebido instruções de Allan Kleber para facilitar processos de interesse da facção.

Resposta das instituições

  • TJ-AM afirmou que adotou medidas administrativas em relação ao servidor investigado e destacou compromisso com legalidade e transparência.
  • UEA esclareceu que ações de professores fora das dependências da universidade são de responsabilidade individual.
  • PM-AM comunicou que o cabo preso responderá judicial e administrativamente, com procedimentos instaurados na Diretoria de Justiça e Disciplina.
  • Prefeitura de Manaus reiterou que não é alvo da operação e que atos de servidores investigados serão responsabilizados individualmente.
  • Câmara Municipal orientou que questionamentos sobre ex-assessores sejam direcionados aos gabinetes respectivos.
  • A reportagem aguarda posicionamento da Assembleia Legislativa do Amazonas.

Impacto da operação

A investigação revela como facções criminosas podem se infiltrar em órgãos públicos para obter vantagens estratégicas, fortalecendo o tráfico e outros crimes organizados. A operação Erga Omnes evidencia a importância de mecanismos de controle interno, monitoramento de servidores e colaboração entre órgãos de segurança para combater o crime organizado na Amazônia.

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Com informações G1
Foto: Divulgação

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