O líder Supremo do Irã, aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, afirmou nesta sexta-feira (10) que o país irá adotar novas regras para a passagem no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. O anúncio foi feito em pronunciamento oficial à nação e amplia as tensões geopolíticas no Oriente Médio.

A região é considerada vital para o comércio global de energia, já que por ali transita cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural consumido no planeta. Qualquer instabilidade no local tende a provocar impactos imediatos no mercado internacional.

Durante o discurso, Khamenei também enviou mensagens diretas aos países do Golfo Pérsico, aconselhando que se afastem de Israel e dos Estados Unidos. Segundo ele, o Irã levará em consideração todos os cenários de conflito na região, incluindo Líbano e Faixa de Gaza.

“Certamente levaremos a gestão do Estreito de Ormuz a um novo patamar. Não somos e não seremos belicistas, mas não abriremos mão dos nossos direitos legítimos”, afirmou o líder iraniano.

Ele também mencionou o que chamou de “frente de resistência”, grupo formado por aliados do Irã na região, como Hezbollah, no Líbano, Hamas, em Gaza, e os Houthis, no Iêmen.

Pressão regional e recados diplomáticos

No pronunciamento, Khamenei direcionou mensagens aos países do chamado “Sul do Golfo”, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita. Segundo ele, essas nações devem “reavaliar suas posições” diante do cenário de conflito.

O líder iraniano afirmou ainda que aguarda uma “resposta adequada” desses países e sugeriu uma aproximação baseada no distanciamento de potências ocidentais.

Em outro trecho, Khamenei reforçou críticas aos Estados Unidos e aliados, afirmando que o Irã vai exigir compensações pelos danos causados durante o conflito recente, incluindo o que chamou de “pagamento pelo sangue dos mártires”.

Contexto de guerra e escalada de tensões

O pronunciamento ocorre em meio a um cenário de instabilidade prolongada na região, após semanas de conflito envolvendo ataques entre Irã, Israel e Estados Unidos. Segundo o discurso, há um cessar-fogo temporário em andamento, mas com fragilidade nas negociações.

As tensões também se estendem ao Líbano e à Faixa de Gaza, onde aliados do Irã mantêm atuação ativa no conflito regional.

Khamenei ainda fez um apelo interno à população iraniana, defendendo a permanência de mobilização nas ruas e criticando o que chamou de influência de veículos de comunicação estrangeiros.

“Não devemos tratar essas mensagens com confiança. Elas não representam os interesses do nosso país”, disse.

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