Em uma reviravolta política de última hora, o governador do Amazonas, Wilson Lima, e o vice-governador, Tadeu de Souza, renunciaram conjuntamente na noite deste sábado (4), no limite do prazo de desincompatibilização eleitoral. A decisão altera completamente o cenário político do estado às vésperas das eleições de 2026 e coloca o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade, no comando do Executivo estadual.
O cenário político do Amazonas mudou drasticamente em poucas horas. Após meses indicando que permaneceria no cargo até o fim do mandato, Wilson Lima surpreendeu ao oficializar sua renúncia no último dia do prazo legal para desincompatibilização.

A decisão foi tomada em conjunto com o vice-governador Tadeu de Souza, que também deixou o cargo. As cartas de renúncia foram entregues à presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Assembleia Legislativa do Amazonas) por volta das 23h e publicadas em edição extra do Diário Oficial do Legislativo.
A movimentação ocorre após um período em que Wilson Lima vinha estruturando seu grupo político para as eleições de 2026, incluindo anúncios de pré-candidaturas para deputado federal, estadual e Senado. Entre os nomes, estava o do vereador Rodrigo Sá, inicialmente cotado para disputar o Senado, cenário que muda com a entrada do próprio ex-governador na corrida.
Disputa eleitoral redesenhada
Com a renúncia, Wilson Lima deve disputar uma vaga no Senado Federal, enquanto Tadeu de Souza se posiciona como pré-candidato a deputado federal. A estratégia fortalece o grupo político ligado à federação União Progressista no estado.
Já Roberto Cidade assume imediatamente o governo do Amazonas, conforme determina a linha sucessória constitucional, por ocupar a presidência da Assembleia Legislativa.
Nos bastidores, a avaliação é de que Cidade passa a ter uma posição altamente estratégica: além de comandar o Executivo, ele surge como forte nome para disputar a reeleição ao governo estadual.
Eleições indiretas e novo comando
Com a vacância simultânea dos cargos de governador e vice, o Amazonas deverá realizar eleições indiretas. Nesse modelo, os 24 deputados estaduais da Aleam serão responsáveis por escolher o novo chefe do Executivo para completar o mandato.
Até a realização desse processo, Roberto Cidade permanece como governador interino com amplas chances de consolidação política no cargo.
Mudanças na Assembleia
A ida de Roberto Cidade para o Executivo também provoca alterações internas na Assembleia Legislativa. A presidência da Casa passa a ser exercida por Adjuto Afonso, que assume o comando do Legislativo estadual.
Adjuto permanece na função durante o período de transição do governo. Com a definição do novo governador, após o processo de eleição indireta, a Assembleia deverá realizar uma nova eleição para definir sua presidência de forma definitiva.

Clima político e articulações
A decisão de Wilson Lima surpreende porque, até poucos dias antes, o governador indicava que permaneceria no cargo, reforçando sua atuação na área da saúde e na continuidade da gestão.
Nos bastidores, no entanto, a articulação para disputar o Senado já vinha sendo construída, alinhada ao fortalecimento do grupo político que agora passa a controlar tanto o Executivo estadual quanto uma forte base no Legislativo.
A expectativa é de que o novo cenário intensifique as articulações políticas nas próximas semanas, com impacto direto na disputa eleitoral de 2026 no Amazonas.
