O plenário do Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma decisão inédita na história recente do país.
Foram 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção. Para aprovação, eram necessários ao menos 41 votos entre os 81 senadores. Com o resultado, a indicação foi automaticamente arquivada.
A rejeição marca um episódio sem precedentes: é a primeira vez desde 1894 (há cerca de 132 anos) que o Senado barra a indicação de um presidente da República ao STF. Trata-se também do primeiro nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ser rejeitado pela Casa.
Reação de Messias: “A vida é assim”
Após a votação, Jorge Messias falou publicamente pela primeira vez e adotou um tom conciliador diante da derrota:
“Sou grato aos votos que recebi. Acho que cada um de nós cumpre um proposito e eu cumpri o meu. Vim hoje, participei, me submeti a uma sabatina de coração aberto, de alma leve. Falei a verdade, o que penso, o que sinto. Agora, a vida é assim, tem dias de vitórias e dias de derrotas. Nós temos que aceitar. O Plenário do Senado é soberano.”
Messias ainda agradeceu os 34 votos favoráveis e reforçou que cumpriu seu papel no processo.
Lula: “Tenho o direito de indicar, o Senado de rejeitar”
Nos bastidores, um auxiliar próximo relatou a reação do presidente Lula após o resultado. Segundo ele, o chefe do Executivo afirmou:
“eu tenho o direito de indicar e o Senado tem o direito de aprovar ou de rejeitar”.
A fala indica uma tentativa de evitar escalada imediata do conflito institucional, apesar do revés político significativo.
Apoio no STF: André Mendonça sai em defesa de Messias
A repercussão chegou rapidamente ao próprio STF. O ministro André Mendonça, indicado anteriormente por Jair Bolsonaro, manifestou apoio público ao advogado-geral da União:
“Messias é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais para ser Ministro do STF. E amigo verdadeiro não está presente nas festas; está presente nos momentos difíceis.”
E completou:
“Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate! Deus o abençoe! Deus abençoe nosso Brasil!”
Como foi a votação e o clima no Senado
A votação durou pouco mais de sete minutos e foi secreta. A rapidez do processo contrastou com a expectativa criada nas horas anteriores.
Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) havia aprovado o nome de Messias por 16 votos a 11, indicando um cenário favorável que não se confirmou no plenário.
O relator da indicação, Weverton Rocha, chegou a projetar entre 45 e 48 votos favoráveis, o que evidencia uma reviravolta significativa no resultado final.
Parlamentares da oposição comemoraram o resultado, enquanto membros da base governista demonstraram surpresa e dificuldade em compreender a derrota.
O que muda agora
Com a rejeição:
- A indicação de Messias foi arquivada
- O presidente Lula terá que indicar um novo nome
- A nova indicação também precisará passar por sabatina e votação no Senado
Messias disputava a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente em outubro de 2025.
Ele seria o terceiro indicado de Lula ao STF neste mandato, após Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Um marco institucional
Mais do que uma derrota individual, o episódio representa um marco institucional.
A rejeição de Jorge Messias redefine os limites da relação entre Executivo e Legislativo e inaugura um novo momento na dinâmica de indicações para o Supremo.
O impacto completo da decisão ainda deve se desdobrar nos próximos meses — tanto na política quanto na construção do cenário eleitoral futuro.
Com informações do G1, TV Senado e Agência Brasil
Foto: Agência Brasil
