Uma unidade de produção de gelo movida a energia solar entrou em operação neste mês em uma comunidade ribeirinha de Iranduba, no Amazonas. A estrutura foi implantada para facilitar a conservação do pescado e reduzir a dependência de insumos vindos da capital.

Com capacidade de produzir uma tonelada de gelo por dia e armazenar até 20 toneladas, o sistema funciona com placas solares e baterias. A água utilizada vem de poço artesiano, sem interferir no abastecimento local.

Antes da operação, pescadores precisavam viajar cerca de cinco horas até Manaus para adquirir gelo. O processo elevava custos e aumentava o risco de prejuízos, principalmente em períodos de baixa captura.

“Se a gente precisava de uma tonelada, comprava três, para garantir a manutenção do pescado até o fim da pesca. Se naquele mês não desse peixe, perdia tudo”, conta o pescador Nelson Brito.

A produção local passou a atender dezenas de famílias. A gestão da fábrica foi definida pela própria comunidade e ficou sob responsabilidade de um morador, também pescador. A expectativa é cobrir a maior parte da demanda durante o período de pesca.

“Outras cadeias produtivas também vão se beneficiar fora dessa temporada, como o turismo, que utiliza esse gelo para armazenar o seu pescado antes de servir aos clientes, e a agricultura familiar, que precisa para armazenar a goma da tapioca”, diz Demétrio Júnior.

Além do uso direto na pesca, a unidade abre possibilidade de geração de renda ao longo do ano. Há estudos para ampliar as atividades, incluindo a oferta de produtos básicos para trabalhadores da região.

O uso de energia solar reduz a dependência de redes instáveis e diminui o impacto ambiental do transporte fluvial. Em áreas com acesso limitado à eletricidade, soluções desse tipo são apontadas como alternativa para manter atividades produtivas.

“Historicamente, na Amazônia, a gente tem um problema sério de energia”, afirma Valcléia Lima, ao destacar que projetos desse tipo podem ser reproduzidos em outras comunidades.