Método com composto DAQ recebe patente após estudos sobre malária resistente

Uma patente concedida nos Estados Unidos reconheceu um método de tratamento da malária desenvolvido a partir do composto DAQ, investigado em pesquisas sobre formas resistentes da doença. O trabalho foi conduzido por pesquisadores ligados à Fiocruz e reúne análises sobre a ação da substância no ciclo do parasita.

O estudo se concentra no Plasmodium falciparum, agente associado aos casos mais graves de malária, e avalia a capacidade do composto de interromper mecanismos essenciais para a sobrevivência do microrganismo.

Retomada de substância investigada há décadas

O DAQ já havia sido identificado em pesquisas antigas com potencial contra a malária, mas permaneceu fora do foco científico por anos. A retomada ocorreu com o uso de métodos mais modernos de análise molecular.

Os pesquisadores apontam que a nova abordagem permitiu identificar uma característica estrutural ligada à capacidade de atuação em parasitas com resistência a medicamentos.

Mecanismo de ação observado

O composto atua sobre o processo de digestão da hemoglobina dentro do parasita, interferindo na neutralização de substâncias tóxicas produzidas durante esse ciclo, o que leva à eliminação do microrganismo.

Os resultados indicam ação rápida em fases iniciais da infecção e eficácia tanto em cepas sensíveis quanto resistentes do Plasmodium falciparum, além de atividade observada contra o Plasmodium vivax.

Parcerias e continuidade das pesquisas

O estudo contou com colaboração de instituições como University of California San Francisco, Universidade Federal de Alagoas e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, além de continuidade com a Universidade Federal de São Paulo.

Apesar da patente, o composto ainda precisa passar por testes de toxicidade, definição de doses e desenvolvimento de formulação antes de eventual uso clínico. A validade da patente vai até setembro de 2041.

Com Informações da Agência Brasil
Foto: Alex Pazuello