O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã tem 48 horas para chegar a um acordo ou permitir a abertura do Estreito de Ormuz ao tráfego internacional. A declaração foi publicada neste sábado (4), na rede Truth Social.
Na mensagem, Trump relembrou o prazo de dez dias anunciado em 26 de março para que Teerã atendesse às exigências. Segundo ele, o prazo termina na segunda-feira. “O tempo está se esgotando”, escreveu, ao indicar que medidas militares podem ser adotadas caso não haja resposta.
A publicação não mencionou a busca por um piloto americano que teria se ejetado após a queda de um caça F-15 em território iraniano. O Irã assumiu a responsabilidade pelo abate da aeronave, o primeiro desde os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o país em 28 de fevereiro.
Na sexta-feira, o governo iraniano também afirmou ter abatido um avião A-10 Warthog próximo ao Estreito de Ormuz. O episódio levantou questionamentos sobre declarações anteriores de Trump de que os EUA teriam controle do espaço aéreo iraniano.
Horas após a postagem, o comando militar central do Irã respondeu às ameaças. O general Ali Abdollahi Aliabadi classificou a fala como uma reação “impotente” e afirmou que o país responderá a qualquer escalada.
Negociações seguem sem consenso
As declarações ocorrem em meio a impasses nas negociações. Ao longo da semana, Trump indicou que pode ampliar ataques a infraestruturas iranianas, incluindo usinas de energia, instalações petrolíferas e unidades de dessalinização.
Em pronunciamento anterior, o presidente afirmou que poderia bombardear o Irã de forma ampla. Também celebrou um ataque a uma ponte que liga Teerã ao Mar Cáspio.
Mais de 100 especialistas em direito internacional divulgaram uma carta aberta alertando que ataques a infraestruturas civis violam a Convenção de Genebra e podem configurar crimes de guerra.
O governo dos EUA mantém discurso de preferência por uma solução diplomática, mas sinaliza continuidade das operações militares. Do lado iraniano, há mensagens divergentes sobre o avanço das negociações.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país permanece aberto ao diálogo, apesar de rejeitar um plano apresentado por Washington, considerado “irrazoável”.
Segundo ele, o objetivo é alcançar um acordo que encerre o conflito de forma definitiva. Os EUA, por sua vez, consideram inaceitável a exigência iraniana de manter soberania sobre o Estreito de Ormuz.
O Paquistão informou que continuará tentando apoiar negociações de cessar-fogo, apesar dos obstáculos.
Busca por piloto pode impactar conflito
O presidente americano não comentou publicamente a busca pelo piloto desaparecido. Em declaração à emissora NBC News, afirmou que o episódio não deve afetar as negociações. “É guerra”, disse.
Especialistas avaliam que a possível captura do militar pelo Irã pode alterar o cenário. A situação pode oferecer vantagem estratégica a Teerã e dificultar um acordo diplomático.
A pesquisadora Marina Miron afirmou que o abate do F-15 contraria declarações dos EUA sobre domínio aéreo na região.
Segundo ela, o episódio demonstra a capacidade iraniana de atingir aeronaves americanas, o que tem impacto militar e político. Miron também destacou que sistemas de defesa aérea utilizados pelo Irã são de difícil localização.
De acordo com a pesquisadora, uma eventual operação de resgate pode ampliar o risco de baixas americanas e elevar a escalada do conflito. Ela aponta que há uma janela crítica de até 72 horas para definição do destino do piloto, com implicações diretas nas negociações.

