O vazamento de monômero de estireno registrado em uma indústria petroquímica no Distrito Industrial de Manaus continua mobilizando órgãos estaduais neste sábado (18). De acordo com o Governo do Amazonas, o monitoramento contínuo da qualidade do ar nas empresas localizadas no entorno da área afetada aponta que os níveis atuais de estireno não representam risco à saúde pública.
As equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) seguem atuando para eliminar totalmente o vazamento. Além do resfriamento do costado do tanque, militares realizam a sucção interna do gás para reduzir a concentração do produto e encerrar a ocorrência.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acompanha a operação, monitorando o sistema de resfriamento utilizado na indústria, além das condições ambientais e da concentração de estireno na região. Após o encerramento dos trabalhos, o instituto dará continuidade às avaliações para verificar possíveis impactos ambientais.
Ipaam aplica multa de R$ 12,5 milhões
Na sexta-feira (17), o Ipaam autuou a empresa responsável pela ocorrência em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental em razão da poluição atmosférica causada pelo vazamento.
A penalidade foi aplicada com base na Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), no Decreto Federal nº 6.514/2008, que trata das infrações administrativas ambientais, e no Decreto Estadual nº 51.355/2025, que regulamenta os procedimentos de fiscalização ambiental no Amazonas.
A multa estadual soma-se à penalidade aplicada anteriormente pela Prefeitura de Manaus, que autuou a empresa em 30 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), equivalente a R$ 4.554.300.
Governo decide sobre retorno das atividades
O Comitê de Gerenciamento da ocorrência, formado por órgãos estaduais das Forças de Segurança, Defesa Civil, Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-RCP) e Ipaam, fará uma nova avaliação neste sábado para decidir sobre a retomada das atividades das empresas do Polo Industrial, escolas e serviços públicos que permanecem suspensos.
Por medida preventiva, uma área de aproximadamente 300 metros ao redor da empresa continua isolada.
Também permanecem suspensas as atividades em 12 escolas estaduais:
- EE Antônio Lucena Bittencourt;
- EE Antóvila Mourão Vieira;
- EE Bom Pastor;
- EE Olavo Bilac;
- EE São Luiz de Gonzaga;
- EE Marquês de Santa Cruz;
- EE Pedro Silvestre;
- EE Nossa Senhora da Glória;
- EE Antônio Bettencourt;
- EE Joana Rodrigues;
- EE Liberalina Weill;
- EE Governador Melo e Póvoas.
O Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) do Studio 5 também permanece com o atendimento suspenso.
Operação começou na quarta-feira
Segundo o Governo do Estado, a ocorrência começou no fim da tarde de quarta-feira (16), após acionamento da empresa.
Desde então, militares do Corpo de Bombeiros atuam na contenção do vazamento utilizando sete canhões de água para manter o resfriamento do tanque. O isolamento da área conta com apoio da Polícia Militar do Amazonas (PMAM).
Mais de 200 atendimentos
A Secretaria de Estado de Saúde informou que, desde o início da ocorrência, 213 pessoas receberam atendimento na rede estadual por sintomas relacionados à exposição ao composto químico.
O paciente que estava internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) apresentou melhora clínica e foi transferido para a enfermaria, onde permanece em recuperação.
A SES-AM orienta que pessoas expostas ao estireno procurem atendimento médico imediato caso apresentem sintomas como:
- irritação nos olhos ou na pele;
- dor de cabeça;
- tontura;
- náusea;
- sonolência;
- confusão mental;
- dificuldade para respirar;
- perda de consciência.
Em situações de emergência, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192.
Ministério Público apura responsabilidades
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou procedimento para apurar as causas do acidente, os impactos ambientais e possíveis responsabilidades.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) também abriu investigação para verificar as condições de segurança dos trabalhadores expostos ao produto químico.
Defesa Civil mantém orientações
Mesmo com a redução dos níveis de estireno no ar, a Defesa Civil do Amazonas recomenda que moradores das áreas próximas permaneçam em locais ventilados, mantenham portas e janelas abertas para facilitar a circulação do ar e desliguem aparelhos que captem ar externo, como sistemas de ar-condicionado e ventilação.

