A movimentação por uma alternativa fora da disputa direta entre lulismo e bolsonarismo ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (22), com a articulação em torno do nome de Aécio Neves para a corrida presidencial de 2026. O avanço da discussão acontece em meio ao desgaste de pré-candidatos associados à polarização política e à busca de partidos de centro por um nome capaz de reorganizar esse espaço eleitoral.

A proposta foi aprovada por unanimidade pela Executiva Nacional do Cidadania e será apresentada oficialmente à federação formada por PSDB, Cidadania e Solidariedade. A definição deve ocorrer em reunião marcada para terça-feira (26), quando as siglas discutirão os próximos passos para a sucessão presidencial.

O nome de Aécio começou a ganhar força nas últimas semanas depois da repercussão envolvendo conversas vazadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Integrantes do centrão passaram a observar com mais cautela o desempenho eleitoral do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro diante do impacto político do caso.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira pela Folha de S.Paulo mostrou aumento da rejeição a Flávio Bolsonaro. Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam no senador para presidente em 2026. O índice é numericamente superior ao registrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece com 45% de rejeição.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias 20 e 22 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Nos bastidores, dirigentes da federação avaliam que o cenário abriu espaço para a retomada do discurso da chamada terceira via. Em nota, o presidente nacional do Cidadania, deputado Alex Manente, afirmou que Aécio teria condições de liderar uma agenda de “responsabilidade fiscal”, fortalecimento institucional e crescimento sustentável.

Antes da consolidação do nome do tucano, o PSDB chegou a discutir a possibilidade de lançar Ciro Gomes na disputa presidencial. O ex-ministro, porém, confirmou recentemente candidatura ao governo do Ceará, o que alterou os planos da legenda.

Na quarta-feira (20), o diretório do PSDB no Rio Grande do Sul já havia defendido oficialmente a candidatura de Aécio Neves ao Palácio do Planalto. Em declaração divulgada após a decisão, o deputado afirmou que o partido seguirá debatendo “alternativas para o Brasil” diante de um cenário marcado, segundo ele, pela polarização e pelo radicalismo político.

A reunião da federação entre PSDB, Cidadania e Solidariedade está marcada para terça-feira (26) e deve definir se o nome de Aécio Neves avançará oficialmente como pré-candidato à Presidência da República em 2026.


Com Informações do G1
Foto: Elaine Menke/Câmara do Deputados